Nota Pública

Recentes notícias veiculadas nos meios de comunicação e redes sociais informam que o exestudante da Faculdade de Medicina da USP acusado de violência sexual obteve registro para exercício profissional junto ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (CREMEPE).

O USP Mulheres soma-se às manifestações que reconhecem nessa medida um reforço para a tolerância social com relação à violência contra as mulheres e colabora para invisibilizar a gravidade dessas violações em ambiente Universitário.

Tornar visível os casos de violência de gênero na universidade, reconhecer sua gravidade, os efeitos sociais e seus desdobramentos no desenvolvimento da vida pessoal e profissional de vítimas e agressores é um passo importante para implementar ações para enfrentar esse grave problema social.

O USP MULHERES vem trabalhando para modificar essa realidade que afeta discentes, docentes e funcionárias no ambiente da Universidade por meio da elaboração e apoio a projetos, ações e medidas de prevenção da violência, revisão de normativas internas, qualificação de profissionais para a detecção, resposta e encaminhamento das denúncias de violência de gênero nos campi da capital e interior. Com estas ações o USP Mulheres reitera seu Compromisso pela igualdade de gênero nos espaços acadêmicos e reforça a urgência para que todos e todas se unam na construção de uma cultura de não violência e tolerância zero à violência contra as mulheres.

O Caso

As acusações contra o ex-estudante chegaram ao conhecimento público durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito para “investigar as violações dos direitos humanos e demais ilegalidades ocorridas no âmbito das Universidades do Estado de São Paulo ocorridas nos chamados ‘trotes’, festas e no seu cotidiano acadêmico” (Ato nº 56, de 2014). Por ocasião dessa CPI, diversos casos de violência sexual ocorridos em festas e ambientes da Universidade de São Paulo foram denunciados por mulheres estudantes contra seus colegas homens. Em face da gravidade das acusações que pesaram contra o ex-estudante, o caso foi submetido à sindicância interna e recebeu a punição disciplinar máxima prevista na normativa: suspensão pelo período de um ano e meio; medida que foi inteiramente cumprida. Uma das denúncias de estupro foi levada à justiça criminal de São Paulo, onde obteve decisão de absolvição em primeira instância em fevereiro de 2017.

USP MULHERES
Coordenadora Profa. Eva Alterman Blay
Profa. Titular Sênior.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
São Paulo, 19 de junho de 2017.